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O professor estuda | para aprender | que não deveria saber tanto.

A Importância do Ato de Escrever no Ensino de Língua Portuguesa (página 03)

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A Língua Portuguesa No Exercício Profissional

Com a globalização, o mercado torna-se, cada vez mais exigente e apenas absorve aqueles que forem qualificados em vários sentidos. Agora o que se pretende é um profissional que saiba planejar, executar e divulgar o seu trabalho. Para isso, o profissional de hoje deve saber, além de exercer bem seu ofício, uma ou duas línguas estrangeiras - sendo uma, com certeza, o inglês e a outra que diga respeito à sua especialidade, como por exemplo: um filósofo deve aprender alemão; um literato, francês e um economista, espanhol.

Ao contrário do que se pensa, não se pode deixar de lado a língua portuguesa, a não ser que o profissional não trabalhe no Brasil, pois o que se vê é uma desvalorização de nossa língua e, sobretudo, a banalização da modalidade escrita. Hoje há uma preferência por gráficos e fotos, valorizam-se os números por não saberem organizar as letras.

No entanto, determinados profissionais utilizam-se da modalidade escrita para discriminar tarefas, para expor idéias, divulgar pesquisas, propor negócios, etc. Nesse momento, o domínio da língua padrão se faz necessário no mercado de trabalho.

É possível que um professor, um médico, um biólogo, um engenheiro ou um físico, entre outros, sejam chamados a fazer um seminário, uma palestra, ou mesmo dar um curso, como também; na área tecnológica, um webdesigner, ou um programador, pode ser solicitado à elaboração de relatórios mensais, principalmente, se esses trabalham para um cliente que, eventualmente, procura saber o andamento de seu investimento, como no caso de um site de uma empresa de grande porte.

Sabemos que as grandes transações são feitas de forma escrita. Por isso a universidade, como espaço "gerador" de profissionais, tem que apresentar mais rigor com a produção de textos, uma vez que é uma das habilidades mais importantes para o profissional contemporâneo. Vejamos trechos da reportagem da matéria de capa da seção Boa Chance do dia 11 de agosto deste ano:
Erros de português comprometem imagem profissional
Um bilhetinho preso ao relatório diz: "faça as alterações que quizer", em vez de "as alterações que quiser". A contrariedade do diretor é imediata ele passa a questionar a qualidade de todo o material que tem em mãos. Sustos como esses, envolvendo tropeços na língua portuguesa, são comuns. E prejudiciais: abalam a imagem do profissional e põem em dúvida o trabalho. Aliás, também expõem a empresa, no caso de o relatório ser enviado a clientes. (O GLOBO)
O profissional de hoje, se quer, realmente, sobreviver no novo mercado, precisa ser multifuncional e apresentar diferentes habilidades, como ter iniciativa, ter conhecimento especializado em mais de uma área, ter leitura, ter um bom vocabulário, ter texto próprio, ter capacidade de pesquisa, ter vontade de se manter sempre atualizado, participando, constantemente, de cursos, de palestras, de congressos e de seminários nos quais os temas referem-se à sua área de atuação. Além desses aspectos, o profissional contemporâneo precisa ter domínio do inglês e/ou do espanhol, contudo, seja qual for a sua profissão, o conhecimento de informática é essencial.

Dessa forma, não podemos mais ver um sujeito sair da universidade sem saber passar suas idéias para o papel de forma coesa e coerente, sem ter o hábito de verificar a concordância ou a regência verbal em uma gramática ou em um livro especializado. Para FEITOSA (2000), cabe ao pesquisador o trabalho de relatar suas descobertas, pois tão importante quanto descobrir e experimentar coisas é comunicá-las. Vejamos:
Escrever é parte inerente ao ofício do pesquisador. O trabalho do cientista ou do tecnólogo não se esgota nas descobertas que faz, nos engenhos que cria: é de sua responsabilidade a comunicação do que descobriu, criou, desenvolveu. No entanto, é fato tão notório quanto lastimável que a comunicação escrita está em crise, e essa crise se faz notar até mesmo nos meios mais especializados e intelectualizados.
a comunicação escrita, mesmo quando é muito pouco formal, confere à mensagem que se quer - ou se deve - transmitir uma forma, um corpo, que vai minimizar os efeitos negativos da transmissão oral do conhecimento. (Feitosa, 1991, p.11)
Dado o exposto, percebe-se a importância do domínio de vários aspectos, sobretudo os gramaticais, da língua portuguesa para o mercado de trabalho, já que esse encontra-se mais exigente quanto ao profissional contemporâneo. O mercado exige um sujeito qualificado, especialista na sua área, mas também com conhecimento diversificado. Como se pode perceber em:
Quem vai sobreviver nesse novo mundo?
Terão mais chances os que conseguirem acompanhar o ritmo das mudanças e também quem for "educado" e não meramente preparado para "apertar parafusos". O cacife dos que tiverem capacidade para criar e transferir conhecimentos de um campo para outro também será maior. Também o dos que souberem se comunicar, trabalhar em grupo, aprender várias atividades. Sobreviverão aqueles que estiverem preparados para a era da polivalência, da multifuncionalidade, das famílias de ocupações. (ASSIS, 1999. p. 13)
Devemos nos preparar, antes de mais nada. Seja qual for a nossa profissão, devemos levar em consideração a realidade circundante. Não podemos ignorar o que ocorre na sociedade pós-moderna, uma vez que as mudanças são notórias e já afetam vários setores da sociedade.

Assim, a educação não pode ficar de fora dessas transformações no trabalho, uma vez que a universidade representa um espaço no qual cidadãos estão sendo orientados, de forma interdisciplinar, para enfrentar o mundo real. A universidade não pode ser vista como um espaço fora da sociedade.

É preciso vincular o "trabalho" realizado em sala de aula com a realidade da sociedade atual, principalmente, no que diz respeito às exigências educacionais, competências e habilidades do profissional contemporâneo. Tais exigências podem ser observadas no Kit de sobrevivência criado por SIMONETTI & GRINBAUM:
Para você que quer se preparar para o futuro, aqui vai um kit de sobrevivência
Conceitos como carreira, estabilidade, promoção por tempo de serviço estão desaparecendo. As empresas valorizam mais quem não se acomoda num único emprego, mas procura aprimoramento contínuo. Hoje se recomenda que a pessoa não fique mais de cinco anos no mesmo emprego.
É preciso ter conhecimento especializado em pelo menos uma área, além de conhecimento básico das outras áreas da empresa. Quem conhece um pouquinho de cada coisa, mas nada em profundidade, está perdendo importância.
O técnico também precisa mudar. É bom que ele tenha noções de vendas, administração, mercado. Marca ponto se consegue abrir uma oportunidade de negócio para a companhia.
É necessário antecipar-se às mudanças e preparar-se para elas. Um bom conselho é fugir dos setores que não dão lucro, ou estão em decadência, ou a caminho da terceirização.
Informação geral é preciosa, mesmo para um técnico. A leitura precisa acrescentar alguma coisa às necessidades do trabalho, ainda que seja um vocabulário melhor .
O profissional deve melhorar seus conhecimentos por conta própria. A iniciativa é bem vista pelas empresas. Cada vez menos elas promovem cursos de reciclagem ou pagam aula de inglês.
(SIMONETTI & GRINBAUM, 1998 in ASSIS, 1999, p. 133)
É óbvio que não cabe, nesse momento, comentar as mudanças relativas ao trabalho, em sua profundidade, mas é importante perceber que um dos itens desse manual se refere à língua portuguesa. E vale rever: "Informação geral é preciosa, mesmo para um técnico. A leitura precisa acrescentar alguma coisa às necessidades do trabalho, ainda que seja um vocabulário melhor". Assim, pode-se somar essa recomendação à modalidade escrita, uma vez que é tão importante ter um bom vocabulário para a fala quanto para a produção de um texto.

Conclusão

A língua portuguesa é o nosso instrumento de comunicação e é através da língua escrita ou falada que nós expressamos nossos sentimentos, nossas idéias, nossas dúvidas e certezas, nossas alegrias e tristezas.

É também através da língua escrita que os homens de negócio iniciam ou terminam importantes transações. É a partir da língua escrita que um cientista pode divulgar suas descobertas para os seus e para todo o mundo. E, na busca da comunicação melhor e maior, o homem esquece-se de dizer obrigado à língua-mãe, banalizando-a e diminuindo-a à condição de objeto cortante, de poder censurador. No mundo há regras. Na vida há normas a serem seguidas, não com total silêncio, mas com murmúrios sensatos de quem sabe o que diz, ou no nosso caso, o que escreve.

Com este trabalho, aprende-se que o poder da língua é soma. O poder da língua, a censura da língua - vista pelos poetas e literatos - existe para que esses possam ousar. Se tudo fosse livre, não teria nenhum sabor a liberdade.

O uso padrão da língua tem hora e lugar para acontecer e é papel da universidade fornecer textos motivadores para que a língua formal, para que a língua padrão, seja utilizada em textos dissertativos e/ou argumentativos. Assim, se os ensinos fundamental e médio não foram suficientes para inspirar ou seduzir as pessoas para o ato de escrever, cabe à universidade não deixar que um indivíduo saia desse espaço sem saber organizar suas idéias e articular as palavras, transformando-as em períodos coesos e coerentes que formarão um texto claro para ele e para seus receptores.

Portanto, escrever é importante antes, durante e depois da universidade, ou melhor, o ato de escrever se faz necessário para sempre na vida de qualquer pessoa.

BIBLIOGRAFIA

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