
Desde pequena era apaixonada por livros, principalmente, pelas histórias contadas por uma tia-avó (mais conhecida como irmã Denise). Tia Glorinha. Foi assim que adentrei, sem defesas, ao mundo das palavras, a partir da palavra-ouvida, antes mesmo da palavra-lida ou da palavra escrita.
Muitos hão de pensar na primeira palavra-dita. Essa confesso que foi MÃE. Até hoje consigo reconstituir a cena (de tanto que minha mãe me contou). Chegamos eu, meu pai e minha mãe de viagem (tínhamos ido a uma cidadezinha de Minas visitar minha avó materna) e eu fiquei alguns segundos sozinha na sala, aos nove meses, e, não deu outra, gritei: MÃE!!! Meus pais correram, me abraçaram...
Da primeira palavra até agora, incalculáveis vocábulos passaram por mim. Tão logo descobri as palavras fiz, e faço, uso constante delas, uma vez que, como não poderia deixar de ser, sou professora de Língua Portuguesa. No entanto, é preciso lembrar que a vida da palavra não é de uso exclusivo dos professores de português, pois a palavra é solidária, a palavra é livre. É livre de credo, de cor, de classe social e de nacionalidade. Também é livre de partido político.
É bem verdade que nem todos fazem bom uso das palavras, já que as usam, muitas vezes, para declarar guerra, machucando a Terra. Outros, como os poetas - ah! os poetas - os romancistas, os cronistas, os artistas, enfim. Esses fazem bom uso das palavras e não só nos levam à reflexão, como nos fazem sorrir, chorar e, antes de tudo, sonhar. Sonhar e viver. Viver e reviver a partir da palavra lida, a partir da palavra escrita, a partir da palavra vida.
Esses camaradas utilizam a ferramenta-palavra como ninguém. O que seria de nós sem José de Alencar, sem Machado de Assis, sem Bandeira, sem Rachel, sem Drummond, sem as pedras no caminho. E o que seria deles sem a palavra. Nesses casos, a vida da palavra se confunde com a própria palavra vida.
Como podemos nos esquecer de determinadas palavras proferidas ao longo da humanidade? Como esquecer Diga ao povo que fico ? ou Quando nasci, um anjo torto/desses que vivem na sombra/disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida?
Como esquecer um Eu te amo? Essas frases são feitas de palavras e também nós, seres humanos, de certa forma, somos feitos de palavras. Até mesmo os que não podem falar transmitem a nós e a outros, por gestos, suas palavras. A palavra é poesia. A palavra é música. A palavra é funeral. A palavra é harmonia. A palavra é carnaval.
Assim podemos, quase, afirmar que a palavra é uma invenção divina, ou melhor, é uma invenção do homem a fim de se perpetuar, já que os homens passarão e as palavras passarinho. É verdade. A palavra nasce, cresce, se desenvolve, cria asas e voa. Voa por caminhos inimagináveis. A palavra se transforma. A palavra vive. A palavra sofre.
Muitas vezes não nos damos conta da importância da palavra em nossas vidas, às vezes, pela pressa; às vezes, pela calmaria. Não há depressão que resista a uma boa leitura, a uma boa conversa. A tecnologia avança, surge o e-mail, surge o blog e lá está ela a palavra para servir de matéria-prima aos nossos sentimentos. A palavra é escrita. A palavra é falada. Êta vida besta, meu Deus! Êta vida boa, meu Deus, essa vida da palavra.
Dessa forma, e de várias outras, digo que até aqui, sou o que sou porque a palavra assim quis. Devo à palavra a minha vida, pois admiro a leitura, admiro as artes, de uma forma geral, respeito o ser Humano no que ele tem de bom e no que ele de tem de palavra a me oferecer. Numa resposta de e-mail, uma escritora famosa, que não cabe aqui mencionar, escreveu, curiosamente, para mim, obrigada por seu carinho e obrigada por suas palavras.
Nome: Cintia Cecilia Barreto (CINTIA BARRETO)
Professora de Língua Portuguesa e Técnicas de Leitura e Redação do Colégio Estadual André Maurois desde 2002.
ESTA REDAÇÃO FICOU ENTRE AS 100 MELHORES REDAÇÕES DO CONCURSO DE REDAÇÃO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS E FOLHA DIRIGIDA DE 2003.
(FORAM 12.320 PROFESSORES DE TODO O BRASIL. FORAM ESCOLHIDAS APENAS 100 PARA SEREM PUBLICADAS EM LIVRO PELA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS E PELA FOLHA DIRIGIDA)
DEDICO ESTE SUCESSO A TODOS OS MEUS ALUNOS, A FIM DE QUE SIRVA DE EXEMPLO DE AMOR ÀS LETRAS E DEDICAÇÃO À LITERATURA. A TODOS, DO COLÉGIO ANDRE MAUROIS, MEU MAIS SINCERO ABRAÇO.