Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Letras Vernáculas (Literatura Brasileira), como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Literatura Brasileira, elaborada sob a orientação da Profª. Drª. Elódia Xavier.
Resumo
O presente trabalho estuda a representação da infância em Lya Luft,
concluindo pela desconstrução do mito da infância feliz.
Quatro romances foram analisados: A asa esquerda do anjo (1981),
Reunião de família (1982), Exílio (1987) e A sentinela (1994). Neles são
observadas as narradoras-protagonistas que, ao passarem por uma crise
existencial, retornam à infância a partir da lembrança do passado.
O imaginário infantil se faz presente através das personagens dos
contos de fadas de Hans Christian Andersen e dos irmãos Grimm, como a
Rainha da Neve, o Patinho Feio e a Branca de Neve. Alice, protagonista de
Aventuras de Alice através do espelho também participa do diálogo com os
romances luftianos. Além dessas imagens, surgem figuras míticas que
contribuem para a atmosfera simbólica das narrativas.
A fim de evidenciar a desconstrução do mito da infância feliz, nota-se
a presença da família patriarcal decadente como geradora de conflitos
internos das narradoras-protagonistas. Assim, percebe-se que a infância é
desconstruída por meio de símbolos que a cercam. Brincadeiras, jogos,
histórias infantis, bem como as figuras dos membros da família, tudo passa
pelo processo de desconstrução. Isso contribui para a representação de uma
infância infeliz. Na verdade, a falta de amor na fase inicial da vida surge
como base de toda a crise existencial das personagens.
Por fim, após a análise sobre a representação da infância luftiana,
constatou-se ainda o processo de infantilização em algumas protagonistas.
Isso reforça a idéia de que as personagens encontram-se, na fase adulta, presas à infância e, para saírem da crise vivenciada e encontrarem suas
identidades, precisam resolver os conflitos ocasionados nessa fase da vida.