Cintia Barreto
Cintia Barreto
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Hoje aprendi que só se aprende, | quandos aos poucos se apreende | a maravilha que é viver

Pontuação

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"A pontuação e o entendimento do texto – O enunciado não se constrói com um amontoado de palavras e orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de dependência e independência sintática e semântica, recobertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam estes princípios. Proferidas as palavras e orações sem tais aspectos melódicos e rítmicos, o enunciado estaria prejudicado na sua função comunicativa. Os sinais de pontuação, que já vêm sendo empregados desde muito tempo, procuram garantir no texto escrito esta solidariedade sintática e semântica. Por isso, uma pontuação errônea produz efeitos tão desastrosos à comunicação quanto o desconhecimento dessa solidariedade a que nos referimos.

Várias situações incômodas já foram criadas pelo mau emprego dos sinais de pontuação. Notem-se as diferenças entre as seguintes ordens de comando:

Não podem atirar!
Não, podem atirar!"

Evanildo Bechara

Leia atentamente o texto abaixo:

Um homem rico, sentindo-se morrer, pediu papel e caneta e escreveu assim:

"Deixo os meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres".

Não teve tempo de pontuar e morreu. A quem deixava ele a riqueza?

Eram quatro os concorrentes. Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do bilhete:

"Deixo os meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres".

A irmã do morto chegou em seguida, com outra cópia do escrito, e pontuou deste modo:

"Deixo os meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres".

Surgiu o alfaiate que, pedindo a cópia do original, fez estas pontuações:

"Deixo os meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres".

O juiz estudava o caso, quando chegaram os pobres da cidade; e um deles, mais sabido, tomando outra cópia, pontuou-a assim:

"Deixo os meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate? Nada. Aos pobres".
(Autor desconhecido)

Como você pode observar, dependendo dos sinais de pontuação utilizados, o texto é capaz de admitir quatro interpretações diferentes. A leitura do texto mostra, portanto, o valor da pontuação. Para que nossa mensagem seja clara, correta e possa ser entendida por todos, tal qual a imaginamos, precisamos empregar, corretamente, os sinais de pontuação.

Os sinais de pontuação são sinais gráficos empregados na língua escrita para tentar reconstituir determinados recursos utilizados na língua falada. Estes sinais destinam-se a marcar pausa, melodia e entonação.

Podem ser classificados em dois grupos:

1) para marcar pausas:
a vírgula ( , ) / o ponto ( . ) / o ponto –e- vírgula ( ; ).

2) para marcar melodia e entonação:
os dois-pontos ( : ) / o ponto-de-interrogação ( ? ) / o ponto-de-exclamação ( ! ) / as reticências ( ... ) / as aspas ( " " ) / os parênteses ( ( ) ) /os colchetes ( [ ] ) / o travessão ( - ).

Vírgula

A vírgula é o sinal que indica uma pausa breve, sem marcar o fim do enunciado. É empregada para separar termos da oração ou para separar orações de um período.

De um modo geral, pode-se afirmar que:

1) Não se usa vírgula na ordem direta (sujeito, verbos, complementos ou adjuntos) dos termos da frase.
Ex.: O aluno estudou a lição em casa.

2) Na ordem inversa, normalmente se usa vírgula.
Ex.: Em casa, o aluno estudou a lição.

3) Na ordem direta, haverá vírgulas quando uma expressão de valor explicativo ou adverbial ficar intercalada, separando o sujeito do verbo ou este de seus complementos.
Ex.: Pedro, aluno do último período, leu o livro.

Principais situações do uso da vírgula:

Separar aposto

Ana C. , poetisa da década de 80, deixou muita saudade.

A prova, da semana passada, foi fácil.

Separar vocativo

Rapaz, estude um pouco mais.

Meu Deus, olhe por nós!

Separar orações coordenadas, exceto aquelas começadas por e.

Paulo pesquisou bastante, mas não encontrou o que queria./ Paulo pesquisou bastante e encontrou o que queria.

Ele assistiu ao filme bastante comentado por todos, mas não gostou.

Ora participava, ora calava-se.

Separar orações coordenadas assindéticas (sem síndetos = conjunções).

Gritava, gesticulava, dançava, tudo para chamar a atenção dos colegas.

"Vim, vi, venci".

Separar orações começadas por "e": a) quando essas têm sujeitos diferentes.

b) quando o "e" não tem valor explicativo.

c) quando o "e" surge repetido (polissíndeto).

Paulo pesquisou, e Caio escreveu o livro. (sujeitos diferentes)

Os EUA exportam milho, e a Suíça relógio. (sujeitos diferentes)

Estudou o ano inteiro, e não foi aprovado. (e = mas)

Estudou o ano inteiro, e foi aprovado. (e = logo)

"Ele fez o céu, e a terra, e o mar, e tudo quanto há neles". (Pe. Antônio Vieira)

Intercalar expressões explicativas e corretivas.

Você, ou melhor, todos do curso estarão capacitados a redigir textos comerciais agora.

"O importante é arrecadar impostos, isto é, forçar o sonegador a pagar." ( Folha de São Paulo)

Agora, disseram eles, precisamos investir em nós.

Separar orações subordinadas adverbiais deslocadas.

Obs.: a conjunção (conectivo) vindo depois da oração principal, a vírgula é facultativa.

Quando você procurar emprego, terá mais um atributo no seu currículo.

Apesar de muito tempo sem estudar a língua portuguesa, consegui entender a matéria apresentada.

Divagou, quando estudou Literatura. OU Divagou quando estudou Literatura.

Estudou mais, porque havia sido reprovado no último concurso. OU Estudou mais porque havia sido reprovado no último concurso.

Separar termos de mesmo valor usados numa coordenação assindética (sem conectivos).

Ele era honesto, simpático, sincero, inteligente.

Separar nomes de lugares (topônimos) na indicação de datas.

Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2004.

São Paulo, 5 de junho de 2003.

Separar conjunções adversativas e conclusivas deslocadas.

Um dia, porém, ele retornou à casa.

Saiu tarde; chegou, pois, atrasado.

Separar orações subordinadas adjetivas explicativas.

Roberto, que estuda aqui, superou nossas expectativas.

O homem, que é um ser racional, está aprendendo a viver melhor.

Indicar a supressão de um verbo que já apareceu ou que está subentendido.

João irá à discoteca; José, ao teatro. (irá)

Os alunos compareceram de uniforme; a diretoria, de jaleco. (compareceu)

Na sala, apenas quatro ou cinco pessoas. (havia ou estavam)

Ponto e Vírgula

O ponto e vírgula marca uma pausa intermediária entre o ponto e a vírgula. Emprega-se o ponto-e-vírgula para separar:

1) para separar partes de um período, das quais um pelo menos esteja separado por vírgula.
Ex.: Várias foram as causas que me levaram à loucura; entre elas, está a não realização de meus sonhos.
Ex.: São questões difíceis; merecem, pois, toda a nossa atenção.

2) separar as várias partes distintas de um período, que se equilibram em valor e importância.
Ex.: "A razão suporta as desgraças; a coragem as combate; a paciência as vence".
Ex.: "Se deres um peixe a um homem, matarás sua fome de um dia; se o ensinares a pescar, matarás sua fome por toda a vida".

c) separar os diversos itens de enunciados enumerativos como decretos, leis, portarias, regulamentos etc.
Ex.: Art. 3º — O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I — igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II — liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III — pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV — respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V — coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI — gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII — valorização do profissional da educação escolar;
VIII — gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da legislação dos sistemas de ensino;
IX — garantia de padrão de qualidade;
X — valorização da experiência extra-escolar; XI — vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

Dois Pontos

1) Inicia uma enumeração, um esclarecimento, introduz um aposto ou oração apositiva.
Ex.: Dispomos de: boas salas, recursos tecnológicos, professores especializados, etc. (enumeração)
Ex.: Desejo uma coisa: que você seja muito feliz. (oração apositiva)
Ex.: Não foi a razão que motivou tal atitude: foi a nossa amizade. (esclarecimento)

2) Antes de uma citação:
Ex.: Disse Heráclito, o filósofo: "Nada existe em caráter permanente, exceto a mudança."

3) Antes de uma observação, exemplo e nota:
Ex.: Obs.:
Ex.: Ex.:
Ex.: Nota:

Aspas

1) Ocorre no começo e no fim de uma citação ou transcrição.
Ex.: Disse Oscar Wilde: "Críticos de verdade? Ah, seria uma maravilha que aparecessem! Estou sempre esperando que isto aconteça."

2) Para indicar estrangeirismos, neologismos (palavras novas), gírias e palavras que se queira dar especial relevo na frase.
Ex.: É preciso usar seu "background" para interpretar os textos de uma forma geral.
Ex.: Tudo voltou ao "normal" depois da noite de ontem.
Obs.: quando já ocorrem aspas numa citação ou transcrição, usam-se aspas simples.
Ex.: "Era melhor que fosse 'clown'." (Érico Veríssimo)
3. Para reproduzir um erro gramatical.
Ex.: Foi a "Nilópis".

4) Para indicar nomes de poemas e de capítulos de livros.
Ex.: Gosto de ler "Motivo" de Cecília Meireles.
Ex.: Em "O Anjo", segundo capítulo de A asa esquerda do anjo, livro de Lya Luft, encontramos a desconstrução do mito da infância feliz.
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