Cintia Barreto
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Cena Obscena

Cena Obscena

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Do fundo do morno colchão,
escutam-se gritos de prazer suados.
Quase se podem sentir os corpos que por ali bailaram.
O desajeitado lençol exala, agora,
ainda mais forte, o alegre odor dos trópicos.

Travesseiros morenos e o ofegante edredom
escondem inutilmente a cena obscena
de um vermelho estanque,
de um vermelho terra.

As meias justapostas, largadas no chão,
sussurram palavras baixas e riem sem parar
das safadezas recíprocas.

Até os cadarços se procuram,
enquanto os amantes lêem apressados o jornal de domingo.
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