Invejo o delicado cinismo
dos seus lábios,
serpentes escondidas
em escorpiões acesos.
Invejo a doçura
das intrigas soçobradas
em nome da velha
amizade amarga.
Invejo seu gótico
sorriso
em prol
da inocência falsa.
Invejo suas falhas
planejadas
em busca
de uma ajuda
tão exata.
Invejo sua inveja
deslavada,
suas noites maldormidas,
suas marcas retiradas,
suas chagas malferidas,
seus jogos pueris.
Mas tenho sede
de sangue.
Tenho gosto de estanho.
Não espere meu silêncio
clandestino;
meu penar sem desafios.
Quero sua alma retalhada,
seus segredos revelados,
sua matéria putrefata.
Tenho cólera.
Colero o colorido
de seus olhos.
Costuro sua vida.
Firo sua angustiada-saudade.
Não brinque com brinquedos
de encaixar.
Aprenda a sofrer sem me levar.