Cintia Barreto
Cintia Barreto
Glória

Glória

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Na batalha urbana incessante
o guerreiro chora.
Chora e pede colo
às despreparadas arrumadeiras domésticas
que lutam com suas frustrações d'alma.

O que será de nós guerreiros,
arrumadeiras, pedreiros,
professores, presidentes, indigentes?

Clamamos pela mesma glória.
Participamos da mesma
cena troiana onde não há cavalos.
Não há surpresas,
somente lamentações, entregas
e um dia após o outro.

Em Alcácer-Quibir, pelo menos,
Sebastião-menino desapareceu
e, até hoje, almejamos seu retorno
sem máculas, sem culpas.

Invernos passam.
Outonos passam.
Primaveras passam,
mas o verão persiste
com suas nuanças quentes
do vermelho-fogo.
do vermelho-guerra.


Os guerreiros erguem-se.
Preparam-se para o confronto final,
e o final é lento.
E todos ...
Rezam.
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