
à Elisa Lucinda
Amiga, pare de falar essas coisas de poesia.
Pare de esperançar o corre-corre com a calmaria.
Mexe, alquimiza, faz rir, faz chorar.
Pare de nos retirar do jogo que aprendemos a jogar.
Pare de me dizer o que fazer com os pés se nunca tentei andar.
Vejo sua euforia e você não percebe minha agonia?
Não estou gostando. Me deixe quieta. Pra passar num concurso público,
fiz até promessa.
O dinheiro é pouco, mas a reza é certa.
Não venha alimentar meu cotidiano falando do que é humano.
Não tenho tempo pra chorar. Pare com isso. Vai passar.
Pare de me fazer florir quando eu tenho que acordar.
Me tire já deste colo. Não quero colo. Não posso, entende!?
Pare de me fazer sentir aos 16 anos novamente.
Sou mãe, esposa, professora, mestra, coordenadora. Sou mulher atarefada.
Não tenho tempo pra mais nada. Se continuar fazendo isso, vou virar a cara.
Não venha com esses olhos verdes falar essas coisas de poesia.
Pula, grita, seduz, implora. Retira do ventre o feto, se emociona e prova!
E ainda quer que eu faça o mesmo na escola?!
Qual é!? Quer que eu leve a poesia na sacola!?
Pare com isso. Já disse. Você não escuta não?!
Continua falando da poesia!?
Quer que meu aluno me veja e sorria?
Quer concretizar a utopia?
Quer uma aula feliz que contagia!?
Quer Escolas Poemas no dia a dia?
Ai..., pare de falar essas coisas, Poesia!