Artigo: A Arte não pode ser senão expressão de Liberdade

É isso mesmo!? Estamos em 2017 ou em 1957!?
Literatura censurada, Exposição de Arte censurada, Cinemas há tempos deram espaço a Igrejas, Bibliotecas fechadas, Editoras priorizando o lançamento de livros de jogador de futebol e de famosos. Sobra, realmente, pouquíssimo espaço para a liberdade de expressão, de pensamento crítico. Agora a Arte deve retratar o belo e o simpático. Desculpa aí, mas Basquiat é Arte. Bernardo Guimarães escreveu "O Elixir do Pajé" no século XIX em meio à onda romântica indianista. A Arte é espaço de expressão humana. É espaço da linguagem não-comum, de múltiplas linguagens não-comuns. Ela não precisa ter compromisso com "a moral e os bons costumes", até porque nem mesmo os que deveriam ter são santos, os que censuram a Arte, muitas vezes, são os mesmos hipócritas retratados. A Arte é espaço de reflexão, de estranhamento, não de repetição, mas de espanto. A Arte não pode ser senão expressão de Liberdade. Nem tudo é Arte, mas a Arte mostra Tudo e deve mostrar mesmo, colocar o dedo na ferida, apertar, espremer e fazer doer. Deve humanizar. Posso garantir a vocês que a realidade "no Interior" pode ser (não só, mas também e é preciso mostrar, denunciar, conseguir respirar em meio a tanta asfixia) ainda mais cruel, mais sórdida, mais vil, mais desumana que qualquer artista seja capaz de retratar. No entanto, é preciso lidar com ela, ressignificá-la, colocá-la (a realidade, digo) para fora. Fora!!! NÃO À CENSURA DA ARTE!! Pronto...falei. Aff!

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Cintia Barreto - Doutora em Literatura Brasileira Cintia Barreto