Artigo: COMO PLANEJAR AULAS CRIATIVAS

Neste momento, muitos professores se perguntam: “como posso tornar minhas aulas mais atraentes aos alunos?” Fato é que a cada nova turma há um novo desafio, considerando ainda que o século XXI, permeado de tecnologias, acesso à internet e a diversos recursos culturais, permite aos educadores promover aulas cada vez mais criativas.

Verdade é que o uso de metodologias ativas em sala de aula viabiliza um diálogo maior com os estudantes que aprendem a todo momento fora dos bancos escolares. Estas metodologias se pautam na maior interação dos estudantes com os conteúdos a serem aprendidos. As metodologias ativas compreendem, dessa forma, o estudante como centro do processo de aprendizagem e não mais o conteúdo. O que é aprendido deve ser parte de um planejamento que tem como base o desenvolvimento humano, não só o ceintífico. Aprendendo, o estaudante se torna alguém capaz de resolver problemas que ocorrerão não só na vida acadêmica, mas também na vida cotidiana não-escolar. Mas você deve estar se perguntando: “afinal, como fazer uso das metodologias ativas em minhas aulas?”

Muitas vezes, fazemos uso dessas metodologias sem sequer termos sido apresentados a elas “formalmente”. Professores criativos, ou seja, que usam a criatividade dos alunos (não necessariamente a dele) para resolução de atividades podem muito estar utilizando dessas metodologias, mas é sempre bom conhecer mais sobre os recursos pedagógicos que dispomos para usá-los e, até mesmo, para dispensá-los. Isso porque quanto mais sabemos mais podemos saber o que usar, como e quando. Os recursos são tão vários quanto são as nossas turmas. Às vezes, a metodologia utilizada em uma turma não terá o mesmo efeito em outra. Antes da escolha de qualquer metodologia, é preciso conhecer seus educandos, entendê-los como indivíduos e não como coletividade apenas. Para ter uma turma, é preciso reconhecer seus componentes. Cada estudante é um verso que compõe uma estrofe. Estas estrofes comporão o poema de cada educador. Cada turma é um poema em palavras, ritmo, imagem, desejos, sentimentos. Cabe ao professor saber ler cada verso, a fim de obter um bom poema.

As metodologias ativas exigem preparo prévio de educadores e educandos, na medida em que primam pela busca de atualização, pesquisa, produção de ambas as partes. Cabe ao professor, (isso também pode, e deve, ser sugerido aos estudantes fazerem em qualquer momento) selecionar uma série de temas atuais e viabilizar atividades em que os estudantes possam conhecer, pensar, relacionar e não apenas parar na fase da conceituação. Os grandes males do ensino tradicional foram a centralização no ensino e não na aprendizagem, no conteúdo e não nos estudantes, na reprodução e não na produção, na conceituação e não na correlação, na teoria e não na prática, na textualização e não na contextualização.

As metodologias ativas que mais utilizo são “Aprendizagem Baseada em Problemas” e “Aprendizagem Baseada em Projetos”. A “Aprendizagem Baseada em Problemas” origina-se nas ideias do psicólogo americano Bruner e do filósofo Dewey. Esta metodologia propõe que o estudante aprenda pela descoberta, por meio de problemas do cotidiano, a fim de que busque soluções para eles por meio de discussões em grupos. Diferente da prática pedagógica tracional, cabe ao estudante buscar o conhecimento e não apenas receber informações.

Na “Aprendizagem Baseada em Projetos”, o estudante é instigado à investigação de temas que permitem descobrir novos conceitos e práticas por meio da contextualização, levando-o a produzir e conhecer mais, vivenciando, experimentando. Este tipo de metodologia é praticada, frequentemente, em datas comemorativas nas escolas, mas é preciso fazer com que os projetos façam parte do cotidiano escolar, possibilitando ao estudante reconhecer sua autoria nas atividades pedagógicas. Estas metodologias podem ser utilizadas da Educação Básica ao Ensino Superior até a Pós-Graduação.

Isso posto, é importante frisar que o uso das metodologias ativas conduzem a aulas mais dinâmicas e criativas por parte não só dos professores, mas, principalmente, dos estudantes. Para palnejar aulas criativas é preciso que o professor seja um parceiro do estudante, orientando-o e conduzindo-o para práticas em que promova o pensamento crítico, autônomo e criativo do discente. Para tanto, o diálogo é parte central do processo. Diálogo entre Professor e estudante e entre estudante e estudante. Nessas práticas, são comuns os trabalhos em grupo e a disiposição em círculo das carteiras escolares. Além disso, a divisão das aulas em três momentos textuais contribui para maior aproveitamento de cada tema. Sendo eles: pré-textual, textual e pós-textual. Cabe ainda frisar que os temas primam pelos pilares da interdisciplinaridade, da intertextualidade e da contextualização.

Aulas criativas estimulam a criatividade dos próprios estudantes que são convidados a buscarem soluções para os probelmas apresentados, exemplificaçãoes e, sobretudo, estimulados à criação seja de textos, de objetos, de projetos dentro e fora do espaço escolar. Vale ainda dizer que aulas criativas vão além dos muros da escola e promovem a interação do estudante com as questões relativas à sociedade em que vive e com seu tempo, não ficando preso apenas aos conteúdos, algumas vezes, inseridos em um momento distante do atual. Possibilitar a relação de temas do passado com os atuais, é fundamental para compreender, profundamente, questões recentes pelas quais passa seu bairro, sua cidade, seu país.

 

Para planejar aulas criativas, você pode:

 

    • planejar práticas de descobertas,

    • promover práticas de leitura literária,

    • promover atividades que não tenham resposta única,

    • oportunizar práticas de escrita criativa,

    • dividir as atividades em pré-textual, textual e pós-textual,

    • estimular o uso de celulares e plataformas digitais como formas de construção de atividades dos estudantes (eles podem fazer curtas, histórias, entrevistas, documentários, poemas falados, resenhas de livros, jogos, …),

    • promover a aprendizagem baseada em problemas. Levar um tema atual, promover a discussão para a resolução em grupos,

    • produzir projetos com a participação ativa dos estudantes. Solicitar que eles apresentem propopostas de projetos interdisciplinares,

    • estimular a contação de histórias (um conteúdo curricular pode se transformar em uma bela e emocionante história),

    • falar poesia e estimular a criação de poesia,

    • praticar a educação afetiva e não apenas tecnicista,

    • promover atividades que insiram a história e a cultura indígena e africana como fundamentais na formação do Brasil,

    • enfatizar a importância da cultura popular,

    • promover práticas interdisciplinares,

    • utilizar atividades com gêneros textuais variados (artigos, notícias, reportagens, canções, poemas, crônicas, contos, pinturas, ilustrações, charges, HQ\'s...),

    • promover o compartilhamento de atividades discentes no mural, no site da escola, numa publicação de um livro e/ou em festas literárias da escola. Valorize a produção dos estudantes,

    • relacionar educação com cultura.

 

Para fazer seu planejamento:

 

Tema (assunto, tópico curricular):

Objetivos (geral e específicos):

Conteúdos (tópicos relacionados ao tema):

Etapas (dividir em pré-textual, textual e pós-textual):

Atividades Interdisciplinares (elaborar práticas relacionando o conteúdo a outras disciplinas):

Habilidades (descritores. Usar os verbos no infinitivo. Ex.: “reconhecer os recursos verbais e não verbais fundamentais para a compreensão da propaganda”)

Tempo (duração da aula ou das aulas):

Recursos (livro, pendrive...):

Avaliação (diagnóstica, dialógica, quantitativa...)

Referências bibliográficas (livros utilizados para pesquisa):

 

Por fim, é preciso estar atento ao modelo de planejamento disponibilizado pelas escolas. No entanto, dentro da estrutura sugerida é possível acrescentar mais elementos que contribuam para aulas mais criativas. O importante é não tornar o planejamento um gesso para as aulas. O planejamento deve ser norteador, mas, se aparecer um fato novo, leve-o para a sala de aula. Tenho certeza de que seus alunos gostarão de discuti-lo e de procurar uma solução para ele.

 

Bom ano letivo a todos (as)!

 

(Cintia Barreto)

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Cintia Barreto - Doutora em Literatura Brasileira Cintia Barreto