Entrevista: Professora publica livro de artigos sobre leitura e culturas afro e indígena

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Conexão Professor

Professora do Colégio Estadual André Maurois há mais de 10 anos, a doutoranda em Literatura Brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Cintia Barreto acaba de lançar o livro “Diálogos sobre leitura e cultura”, pela editora Multifoco, com a colaboração dos professores Idemburgo Frazão e Mariangela Almeida. A obra é uma coletânea de 11 artigos de 12 autores da área de Letras e Educação, a maioria composta por docentes do curso de especialização em “Literatura infantil e juvenil: leitura e ensino”, da Unigranrio, que Cintia coordena.

Além de abordar as culturas indígena e africana – temas obrigatórios nas escolas segundo a Lei 11.645/08 –, o livro oferece um material de nível acadêmico para contribuir com as práticas docentes da Educação Infantil ao Ensino Superior. O foco que une a coletânea de ensaios, que trata da alfabetização ao papel da escola na formação do leitor, é a crença na leitura literária como formadora de cidadãos críticos e conscientes.

Lançado no Espaço Multifoco, no Centro do Rio, em 26 de outubro, o livro terá o segundo lançamento no dia 7 de novembro, na Unigranrio (Campus I), em Duque de Caxias, às 19h. Nesta entrevista ao Conexão Professor, Cintia Barreto resume a importância da publicação, à venda para livrarias e instituições no site da Editora Multifoco.

Conexão Professor (CP) - O que o livro traz sobre a cultura indígena?

Cintia Barreto - O texto da professora Vera Kauss, “Literatura indígena: a dança da memória na luta pela manutenção de identidade”, reflete sobre o conceito de Literatura e Literatura Indígena a partir de um panorama da representação do indígena no Brasil desde a colonização aos dias atuais. A autora mostra a importância das contribuições dos indígenas na formação do país e dá uma aula sobre cultura e literatura indígena que será muito útil aos professores da rede no cumprimento da lei 11.645/08. Sem conhecimento no assunto fica difícil não reproduzir certos preconceitos que estão arraigados em nossa sociedade em relação aos povos indígenas.

CP - Quais aspectos da cultura afro são abordados no livro?

Cintia Barreto - O texto do professor Robson Dutra, “Criança, leitura e nação: aspectos da literatura infanto-juvenil em África”, analisa os livros “As aventuras de Ngunga”, de Pepetela, “O gato e o escuro” e “O beijo da palavrinha”, de Mia Couto. Com um olhar privilegiado de quem dedicou anos de sua vida à leitura e crítica de textos voltados à temática africana, as proposições de Robson Dutra, que tem pós-doutorado em Literatura Africana pela Uerj, são leituras obrigatórias aos professores que queiram planejar atividades de leitura voltadas a este tema.

Na segunda impressão do livro, com lançamento no dia 7 de novembro, os dois artigos vão disponibilizar sugestões de leituras literárias das temáticas para nortear as práticas de leitura na escola.

CP - Como o livro pode ser útil aos educadores da rede pública estadual?

Cintia Barreto - O livro colabora para a formação e atualização dos professores da rede pública estadual, pois aborda temas pertinentes ao Currículo Mínimo de Língua Portuguesa, cuja equipe de elaboração eu integrei em 2011 e 2012. Os artigos são voltados à leitura, à literatura e às culturas indígena e africana. Com esta obra, é possível atualizar-se sobre temas emergenciais nos colégios estaduais hoje. O livro não se destina só aos profissionais do ensino médio, mas também aos docentes da Educação Infantil ao Ensino Superior. Nossos alunos da graduação em Letras e Pedagogia, com certeza, irão dispor desta leitura.

CP - Que tipo de orientação o livro oferece aos educadores para a formação dos leitores?

Cintia Barreto - O livro traz, em diferentes artigos, análises de textos literários para crianças e jovens. Consequentemente, aguça a curiosidade dos professores para trabalharem com estes textos em sala de aula. No meu artigo “Brincando com as palavras”, por exemplo, trago impressões sobre o livro “Sem pé nem cabeça”, de Elias José, que pode ser usado numa atividade no EJA, por exemplo, para mostrar como o escritor brinca com palavras e expressões populares que contêm a palavra “pé”.

O texto da professora Solimar Silva aborda justamente a questão da mediação da leitura pelo professor e propõe atividades para antes, durante e após a leitura. Já o texto da professora Cristina Silveira é uma homenagem ao escritor Ziraldo, que fez 80 anos em outubro e será o autor homenageado na Bienal do Livro de 2013 no Rio de Janeiro. “Os meninos morenos” e “O menino marrom” são alguns dos títulos observados por Cristina em seu artigo “Ziraldo: seus meninos e meninas”.

Todos os textos do livro contribuem com a formação de professores e podem ser adotados para oficinas, palestras, cursos de formação. A obra não pode faltar na biblioteca dos educadores da rede estadual de ensino.

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Cintia Barreto - Doutora em Literatura Brasileira Cintia Barreto